09/11/2009 / Tags: Conjuntura Nacional, Politica
Renovado e ampliado, novo Comitê Central do PCdoB tem 105 membros
O 12º Congresso Nacional do PCdoB foi encerrado neste domingo (8), em São Paulo, com a eleição do novo Comitê Central do Partido, que irá dirigir a legenda até o próximo Congresso, em 2013. A nominata de 101 nomes apresentada aos delegados no início do encontro foi acrescida de mais quatro nomes, e aprovada por ampla maioria. Assim, a nova composição do CC aumenta dos atuais 81 membros para 105. Diversos critérios de composição ajudaram a injetar sangue novo na nova direção comunista.
Os critérios de composição do Comitê Central obedeceram aos seguintes objetivos: manter e, se possivel, aumentar o número de trabalhadores sindicalistas dado o caráter proletário dos membros do partido; incorporar trabalhadores do campo; agregar mais jovens, sobretudo de 20 a 30 anos, contribuindo para diminuir a média etária dos membros do Comitê Central; incorporar mais mulheres, adotando a cota mínima de 30%; incluir quadros mais atuantes na luta de idéias, cientistas, artistas, acadêmicos; ampliar, tanto quanto possível, a presença de presidentes estaduais do Partido e, por fim, conferir a integrantes de comissões a autoridade de membro do CC.
Segundo o secretário nacional de Organização do PCdoB, Walter Sorrentino, que coordenou a comissão eleitoral, o critério que amarra todos os demais critérios é o papel a cumprir no contexto coletivo. "Nenhum comitê central é composto por ranking de capacidade, não é este nosso critério, mas sim o da contribuição que cada integrante dará para a construção de uma direção que tem o desafio de preparar o partido para as novas e importantes tarefas que os comunistas têm pela frente", disse Walter, ao paresentar a sugestão de nominata.
Participaram da escolha do novo Comitê Central 868 delegados, dos 954 que foram credenciados. A votação aconteceu através de um sistema eletrônico (foto ao lado) que tornou bastante ágil e descomplicada a eleição. Antes do processo de votação final, foi aberta aos delegados uma consulta para que pudessem indicar outros nomes além dos que constavam da nominata original. Fruto deste processo, foram incluídos na nominata os nomes de Wander Geraldo, Leila Márcia, David Wylkerson e Chico Lopes, que passaram a integrar a lista de 105 nomes eleita pelos delegados. Outros quatro nomes (Dilcea Quintela, Gilmar Tadeu, Ronaldo Carmona e Luis Carlos Paes) faziam parte de uma lista suplementar, mas não alcançaram votos suficientes para ingressar no novo CC.
Os 105 membros eleitos obtiveram ampla aprovação, obtendo de 100% a 95% dos votos dos delegados. Dos 868 votantes, 650 concordaram integralmente com a proposta apresentada pela comissão eleitoral e 208 delegados fizeram algum tipo de substituição na nominata. Apenas 10 votos (1,15% do total) foram anulados por não cumprirem o critério de incluir pelo menos 30% de mulheres na nominata.
Comissão Política
Logo após a eleição do novo CC, os membros eleitos reuniram-se para definir quem irá compor a Comissão Política Nacional (CPN) do Partido, composta por 26 integrantes, três a mais que na antiga composição. Quanto ao Secretariado, ficou de ser composto mais tarde, em uma reunião da Comissão Política, dia 11 de novembro, e outra do Comitê Central. A indicação é de um Secretariado de sete membros, visando reforçar cada vez mais o papel da CPN na condução política do Partido.
Renato presidente, Luciana vice
Também foi decidida a indicação de Renato Rabelo para continuar à frente da presidência do Partido no próximo período. Renato anunciou que aceitava mais um mandato, o terceiro como presidente do PCdoB. Mas pediu a permissão do CC para proceder, no momento oportuno, os preparativos para a escolha de um companheiro que assuma o cargo no próximo Congresso, em 2013.
Foi feita também a proposta de Luciana Santos para vice-presidente do partido. A secretária de Ciência e Tecnologia de Pernambuco e ex-prefeita de Olinda foi anunciada por Renato Rabelo como "futura deputada federal e uma das mais votadas no estado". O nome foi recebido com aplausos pelos 105 membros do CC recém-eleito.
Após a reunião do CC, aconteceu o ato político de encerramento. Com o anúncio da nova direção e o pronunciamento final de Renato Rabelo, foi declarado encerrado oficialmente o 12º Congresso Nacional do PCdoB, o maior da história do Partido. Como sempre acontece nos eventos partidários, o encerramento deu-se ao som da Internacional Comunista e num clima de grande confraternização que irá marcar o 12º Congresso como um dos encontros mais bem sucedidos do Partido Comunista do Brasil.
Veja abaixo a composição do novo Comitê Central (Os nomes marcados com # são de novos integrantes do CC)
1. . Adalberto Frasson
2. . Adalberto Monteiro
3. . Alanir Cardoso
4. . Aldo Arantes
5. . Aldo Rebelo
6. . # Alice Mazzuco Portugal
7. . Altamiro Borges
8. . # Ana Maria Prestes Rabelo
9. . Ana Rocha
10. . André Bezerra
11. . # Andre Pereira Reinert Tokarski
12. . Andréia Diniz
13. . # Ângela Albino
14. . # Antenor Roberto S. de Medeiros
15. . Assis Melo
16. . Augusto Buonicore
17. . # Augusto Canizela Chagas
18. . # Augusto Madeira
19. . Aurino Nascimento
20. . # Bartíria Perpétua Lima da Costa
21. . Bernardo Joffily
22. . # Biga - Dilce Abgail Rodrigues Pereira
23. . Caetano, Aldemir de Carvalho
24. . Carlos Augusto Diógenes (Patinhas)
25. . # Cláudio Silva Bastos
26. . # Chico Lopes
27. . Daniel Almeida
28. . # Daniele Costa Silva
29. . # Davidson de Magalhães Santos
30. . David Wylkerson
31. . Dilermando Toni
32. . Divanilton Pereira
33. . Edilon Melo de Queirós
34. . Edmilson Valentim
35. . # Edson Luis de França
36. . # Eduardo Bonfim Gomes Ribeiro
37. . Edvaldo Magalhães
38. . Edvaldo Nogueira
39. . Eron Bezerra
40. . # Evandro Costa Milhomem
41. . # Fabiana de Souza Costa
42. . # Flávio Dino de Castro e Costa
43. . # Gerson Pinheiro de Souza
44. . Gustavo Petta
45. . Haroldo Lima
46. . Inácio Arruda
47. . Jamil Murad
48. . Jandira Feghali
49. . Javier Alfaya
50. . Jô Moraes
51. . João Batista Lemos
52. . José Reinaldo Carvalho
53. . Julia Roland
54. . # Julieta Palmeira
55. . Julio Vellozo
56. . Leila Márcia
57. . Liège Rocha
58. . # Lucia Kluck Stumpf
59. . Luciana Santos
60. . Luciano Siqueira
61. . Luis Carlos Orro
62. . Luiz Fernandes
63. . Madalena Guasco
64. . # Manoel Carlos Neri da Silva
65. . Manoel Rangel
66. . Manuela D’Ávila
67. . Marcelino Granja
68. . Marcelo Brito
69. . # Marcelo Cláudio César Cardia
70. . Marcelo Toledo
71. . # Maria de Lourdes Carvalho Rufino
72. . # Marta Brandão da Silva
73. . Maurício Ramos
74. . Milton Alves
75. . Nádia Campeão
76. . Nereide Saviani
77. . # Neuton Miranda Sobrinho
78. . Nivaldo Santana
79. . # Olival Freire Jr
80. . Olívia Santana
81. . Orlando Silva Júnior
82. . Osmar Júnior
83. . Péricles de Souza
84. . Perpétua Almeida
85. . # Raimunda Leone de Jesus
86. . # Renata Lemos Petta
87. . Renato Rabelo
88. . Renildo Calheiros
89. . Renildo de Souza
90. . Ricardo Abreu (Alemão)
91. . # Romário Galvão Maia
92. . Ronald Freitas
93. . Sérgio Barroso
94. . Socorro Gomes
95. . # Tânia Soares de Souza
96. . # Thiago de Andrade Pinto
97. . # Valéria Conceição da Silva
98. . Vanessa Grazziotin
99. . # Vanja Andrea Reis dos Santos
100. . Vital Nolasco
101. . Wadson Ribeiro
102. . Wagner Gomes
103. . Walter Sorrentino
104. . Wander Geraldo
105. . Zito Vieira
A Comissão Política ficou com a seguinte composição(nomes em ordem alfabética):
1. Adalberto Monteiro
2. Adalberto Frasson
3. Aldo Arantes
4. Aldo Rebelo
5. Altamiro Borges
6. Ana Rocha
7. Carlos Augusto Diógenes (Patinhas)
8. Daniel Almeida
9. Flávio Dino
10. Haroldo Lima
11. Inácio Arruda
12. Jô Moraes
13. João Batista Lemos
14. José Reinaldo de Carvalho
15. Julio Vellozzo
16. Liége Rocha
17. Luciana Santos
18. Nádia Campeão
19. Orlando Silva
20. Renato Rabelo
21. Renildo Calheiros
22. Ricardo Abreu (Alemão)
23. Vanessa Grazziotin
24. Vital Nolasco
25. Wagner Gomes
26. Walter Sorrentino
Clique no link abaixo para ler um pequeno perfil de cada integrante:
Novo Comitê Central eleito no 12 Congresso do PCdoB.
/ Tags: Movimento Estudantil
UNE condena decisão de expulsar universitária que usou mini-saia
O presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Augusto Chagas, considerou “descabida” a decisão da Universidade Bandeirante (Uniban) de expulsar a aluna Geisy Arruda, após o episódio em que ela foi humilhada por outros alunos por usar um vestido curto.
De acordo com Chagas, a atitude criminaliza a vítima. “É como nos casos em que se responsabiliza a vítima de um assalto por estar segurando a carteira, ou se diz que uma mulher é culpada quando sofre um assédio ou abuso por causa da sua roupa. Isso nos parece lamentável”, afirmou.
A UNE, segundo ele, vai chamar a atenção de outras instituições para que recebam a aluna, se for o caso, inclusive oferecendo bolsas de estudo a ela. “Não podemos permitir que ela interrompa sua trajetória escolar por causa disso”, completou Chagas.
Ele demonstrou ainda preocupação com a possibilidade de o caso gerar reações negativas quanto à organização coletiva de estudantes. Segundo o presidente da UNE, a falta de espaço de mobilização dos alunos para assuntos importantes da vida acadêmica é um dos fatores que propiciam esse tipo de interação não saudável.
Em nota publicada hoje em jornais de São Paulo, estado onde fica a Uniban, a instituição responsabiliza a aluna pelo episódio ocorrido no último dia 22, quando estudantes formaram uma multidão que a ameaçou de linchamento por causa da roupa que ela usava.
“Foi constatada atitude provocativa da aluna, que buscou chamar a atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar”, diz a nota da Uniban. A instituição considerou ainda que a atitude dos outros alunos foi uma “reação coletiva de defesa do ambiente escolar”.
Apesar de também suspender, temporariamente, das atividades acadêmicas os demais alunos envolvidos e devidamente identificados no incidente, a universidade ressaltou o apoio a seus “60 mil alunos injustamente aviltados” pela cobertura midiática sobre o caso.
/ Tags: Historia do Brasil
Carlos Marighella, um sensível guerrilheiro
Um guerrilheiro que, além de comandar a resistência ao regime militar, gostava de escrever poesias, ouvir músicas e fazer brincadeiras. Esse é o perfil de Carlos Marighella (1911-1969) que o público poderá conferir na exposição "Marighella", a partir deste domingo (9) até 25 de abril, no Memorial da Resistência de São Paulo, na Capital. A mostra, com entrada franca, reúne fotos, textos e depoimentos em vídeo de personalidades.
Morto em São Paulo há 40 anos, durante emboscada chefiada pelo delegado Sérgio Fleury, o político protagonizou momentos decisivos na história brasileira. Nascido em família pobre de Salvador, neto de escravos e imigrantes italianos, iniciou a militância nos anos 1930.
Torturado pela ditadura do ex-presidente Getúlio Vargas e perseguido pelos golpistas de 1964, enfrentou longos períodos de clandestinidade. Mas a exposição, que tem curadoria de Isa Grinspum Ferraz (sobrinha da viúva de Marighella, Clara Sharf) e do jornalista Vladimir Sacchetta, não reverencia apenas a coragem daquele que foi definido como "verdadeiro herói brasileiro" pelo crítico literário Antonio Candido.
"Era um comunista diferente, que defendia os direitos das mulheres e o divórcio na década de 1940, o que era impensável", afirma Isa.
O revolucionário, que nesta semana recebeu o título in memorian de Cidadão Paulistano, também escrevia versos libertários, líricos e satíricos, sob a influência do conterrâneo Gregório de Matos, morto em 1696.
"Ele se definia como ‘mulato baiano'' e adorava Dorival Caymmi, praia e futebol", revela a curadora, que tinha apenas 10 anos quando o mito morreu.
08/11/2009 / Tags: Cinema, Cultura
Anselmo Duarte recebe homenagens no enterro
O corpo do ator e cineasta Anselmo Duarte foi enterrado por volta das 12h30 deste domingo (8) no Cemitério Municipal de Salto, cidade no interior paulista em que ele nasceu. Duarte morreu na madrugada do último sábado (7), em São Paulo, após sofrer o terceiro acidente vascular cerebral, aos 89 anos.
Antes do sepultamento, o cineasta foi homenageado pela população no Centro de Educação e Cultura do município, que a partir de agora deverá se chamar “Centro de Educação e Cultura Anselmo Duarte”, como anunciou a prefeitura local. A cerimônia foi acompanhada por familiares e amigos, entre eles o ator Tarcísio Meira, protagonista do filme “Quelé do pajeú” (1969), dirigido por Duarte.
Entre a tarde de sábado (7) e o começo da manhã deste domingo (8), o corpo de Duarte foi velado na Assembleia Legislativa de São Paulo.
Além de ganhar uma instituição pública com seu nome, Duarte também receberá, em breve, outro tributo: um documentário sobre sua trajetória. Segundo a produtora Magda Barbieri, o filme trará depoimentos do cineasta colhidos nos últimos cinco anos pelo escritor Guilherme Fiúza – autor do livro “Meu nome não é Johnny”.
“Planejamos lançar o documentário no próximo ano. O ritmo do filme foi todo conduzido pelo Anselmo, que relatou bastidores de filmagens e muitas histórias interessantes”, explica a produtora.
O filho do cineasta, o empresário Ricardo Duarte, também trabalha em um empreendimento relacionado à obra do diretor. O “Projeto Anselmo Duarte” pretende restaurar 26 filmes – “O pagador de promessas”, entre eles - que serão lançados em DVD e distribuídos gratuitamente em 10 mil fundações culturais. Segundo Ricardo, o projeto já foi aprovado pelo Ministério da Cultura e está em fase de captação de recursos.
07/11/2009 / Tags: Cultura
Claude Lévi-Strauss - o poder do mito
Morto no sábado 31, em Paris, à véspera de completar 101 anos, Claude Lévi-Strauss foi um dos maiores pensadores do século findo. Concluída a descoberta evolucionista de Charles Darwin, nos anos oitocentos, e tendo Karl Marx esquadrinhado o funcionamento das sociedades industriais, Lévi-Strauss uniu a linguística e a antropologia para detectar as estruturas invisíveis que determinam a vida social. O estruturalismo foi a marca de seu pensamento. Para ele, o real tinha uma construção invisível, que era preciso decifrar.
Nascido em 1908 na Bélgica, de pais franceses de origem judaica, Lévi-Strauss concebeu grandes sínteses intelectuais inspirado no modelo das partituras de música, lembra François Dosse em História do Estruturalismo. Descendente de um bisavô violinista, pai e tios pintores, passou a adolescência pelos antiquários até que a família comprou uma casa nas montanhas de Cévennes. Encantado a ponto de ali fazer caminhadas de quinze horas, ele percebeu que a arte não era mais sua paixão exclusiva. A natureza o acompanhava.
Por trás de um violino bem tocado, Lévi-Strauss compreendia haver o suor matemático, a estrutura de uma combinação de ritmo e sons. Para um fenômeno natural, impunha-se uma explicação ainda mais complexa. Embora inspirado pela arte, ele construiu sistemas lógicos para explicar o mundo da natureza e da cultura. Reivindicava exatidão para as ciências humanas.
As realidades o deixavam inquieto. Leu Marx aos 17 anos, O Capital fascinou-o. Em 1928 foi eleito secretário-geral da Federação dos Estudantes Socialistas. Era um pacifista, mas a guerra chegou à Europa, a sensação de derrota prevaleceu sobre a do engajamento e ele nunca mais pisou no caixote das reivindicações. Nos anos 70, disse ter descoberto ser perigoso “encerrar as realidades políticas no quadro de ideias formais”. Em vez de olhar para o futuro, escolheu investigar o passado, em busca de entender por que nos tornamos o que somos.
Em depoimento ao jornal italiano Corriere Della Sera na quarta-feira 4, Bernard-Henri Lévy, conhecido pela militância no Maio de 68 francês, lembra o grande escritor que havia em Lévi-Strauss, e também o gênio sem o qual pensadores como Michel Foucault, Gilles Deleuze ou Giorgio Agamben jamais existiriam. Mas faz uma ressalva. Ele deixara de vivenciar por inteiro a intelectualidade ao abdicar do direito, quiçá do dever, de intervir pela mudança social.
O raciocínio causa estranhamento, já que a intervenção de Lévi-Strauss em seu tempo fora de outra ordem, holista, unindo várias áreas do saber humano em busca de compreender as organizações sociais. Seus antecessores detectavam em um grupo humano o que lhe era peculiar, não universal. Era um tempo em que as noções de primitivo causavam um interesse espetacular nos modernos, interessados em distinguir suas linhagens daquelas ditas arcaicas. Lévi-Strauss inseriu o selvagem no jogo da civilização e o assemelhou de forma impressionante a todos os outros homens. E este pensamento não seria político também?
Ele estudou filosofia e se tornou apto a ensinar em 1930, “como um zumbi”. Quando, em 1934, o diretor da Escola Normal Superior lhe apresentou a candidatura a professor da nascente Universidade de São Paulo, Lévi-Strauss não hesitou. O diretor Célestin Bouglé lhe dissera que, durante os fins de semana, o filósofo poderia encontrar índios nos subúrbios de São Paulo, algo que já não correspondia à realidade. Aqui chegado, ele observaria a gente comum e a intelectualidade por dois anos, até que, seguro em economias, fosse aos nhambiquaras pela Expedição do Norte, em 1938.
Anos depois, em 1955, ele escreveu Tristes Trópicos para contar essa e muitas outras experiências, num relato de viagem híbrido, que incorporava à narrativa fatos encadeados pelo livre exercício da memória. “Odeio as viagens e os exploradores” são as primeiras palavras de seu livro, monumental pela excelência da escrita, inusual ao fugir das questões antropológicas por ele discutidas naquele momento, envolvendo mito e parentesco. Por muitos anos, essa narrativa foi armazenada nas seções de guias turísticos das livrarias, elas que se habituaram ao exótico como eterna celebração.
“Sua observação do Brasil no livro é muito singular”, crê a doutora em História Social Luciana Murari, autora de Natureza e Cultura no Brasil. “Para os estudiosos da vida intelectual brasileira, Tristes Trópicos reflete, inconscientemente, algumas das percepções que os próprios letrados brasileiros tinham ao deparar com as paisagens lúgubres do interior, a natureza conspurcada, o sentido de comunidade corrompido.”
Ao relembrar o Brasil, o livro deplora as elites intelectuais em passagens nas quais elas se autoproclamam peculiares, enquanto ele as vê típicas. Para Lévi-Strauss, o Brasil esmagado pela inação, pelo desrespeito à sua grandeza primitiva, era único, por exemplo, nas incríveis variações de verde das folhagens de Ubatuba.
Não teria sido feita no Brasil sua revolução intelectual, mas nos Estados Unidos, para onde se mudou, iniciada a perseguição nazista em 1939. Ali foi aconselhado a mudar seu nome para Claude L. Strauss, a fim de evitar a confusão com a marca de calças. “É raríssimo passar-se um ano sem que eu receba, em geral da África, uma encomenda de jeans”, dizia. Ele, que descobrira nas relações de parentesco um padrão de universalidade, encontrou-se no país com outro exilado, Roman Jakobson, que adotara a ideia de sistema para detectar uma regularidade em todas as línguas. Do desenvolvimento conjunto dessas ideias debatidas nasceria a antropologia estrutural, expressão que intitularia seu clássico de 1958.
Durante sua longa vida, Lévi-Strauss suscitou polêmica, e também entusiasmos, a ponto de o treinador da seleção de futebol da França anunciar, nos anos 1960, uma organização estruturalista de sua equipe, a fim de melhorar os resultados. Estruturar saía da academia para ganhar o sentido de desvendar. Mas, se os sábios desvendam, cutucam feridas. Por muitos anos, o intelectual que mais jeans ganhara em vida se viu responsável pela pecha de excessivamente críticos atribuída aos franceses.
Fonte: Carta Capital.
06/11/2009 / Tags: SECEL
Acontece hoje a I Jornada de Medicina Desportiva de Fortaleza
O evento é voltado professores, profissionais e estudantes de Medicina, Enfermagem, Educação Física, Fisioterapia, Nutrição e áreas afins .
Debater os perigos de uma prática esportiva não assistida e a importância dos cuidados com a saúde de atletas de alto rendimento é um dos objetivos da I Jornada de Medicina Desportiva de Fortaleza.
O evento será realizado no dia 06 de novembro, no Auditório da Biblioteca da Unifor, de 9h às 18h. O público alvo é composto por professores, profissionais e estudantes de Medicina, Enfermagem, Educação Física, Fisioterapia, Nutrição e áreas afins.
A I Jornada engloba discussões sobre as dimensões teóricas e práticas da medicina desportiva. Entre seus palestrantes estarão presentes diversos nomes de respaldo nacional e internacional, que abordarão temas como check-ups, exames de rotina, os benefícios dos exercícios físicos para o corpo, acompanhamento do esporte de rendimento e, além disso, discutirão também o tratamento de lesões e enfermidades decorrentes da prática desportiva sem acompanhamento de especialistas.
A programação da jornada irá contar a presença de diversos especialistas, a saber, Dr. Hipólito Monte, diretor geral Hospital Monte Klinikum, especialista em Cirurgia Geral; o Dr. Marcus Strozberg, diretor médico da Clínica MedSport, perito em medicina desportiva; o Dr. Milton Mizumoto, especializado em nutrologia, medicina do esporte e medicina ortomolecular; e o Dr. Hélder Montenegro, integrante da equipe do Instituto Fazzi-Amatuzzi, em São Paulo.
No período da tarde será realizada a palestra “Prática de Medicina Desportiva”, apresentada por Milton Mizumoto e enfermeiros da Corpore Brasil, que em conjunto com coordenadores da equipe Care4You, farão simulações da logística e do atendimento médico necessários durante competições de alto nível. Encerrando a programação da jornada, Hélder Montenegro irá abordar aspectos relativos à fisioterapia da coluna vertebral.
O evento, é realizado pela Prefeitura de Fortaleza, através da Secretaria de Esporte e Lazer (Secel), conta com promoção da Universidade de Fortaleza e apoio da Corpore Brasil, GFC Marketing e Eventos, Mizu Motion, Hospital Monteklinikum e ITC Vertebral.
Confira a programação abaixo.
Serviço
A I Jornada de Medicina Desportiva acontece no Auditório da Unifor, dia 06 de novembro, de 9h às 18h. Outras informações: 85.3254.5848
Programação
Solenidade de Abertura – 09h às 09h20
• Emergência Médica x Check-up Médico – 09h20 às 10h
Palestrante: Dr. Hipólito Monte - Diretor Geral do Hospital Monte Klinikum.
Mediador: Carlos Augusto de Souza Costa (Carlão). Educador Físico e Coordenador da Divisão de Assuntos Desportivos da Unifor.
• Esporte como prática saudável – 10h às 10h40
Palestrante: Dr. Marcus Strozberg - Diretor médico da Clínica MedSport, formado em medicina pela PUC-SP, mestre em medicina do esporte pela Escola Paulista de Medicina – UNIFESP, especialista em medicina do esporte pela Associação Médica Brasileira, membro do American College of Sports Medicine, membro-pesquisador do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte, professor da disciplina de Fisiologia do Exercício da Faculdade Integrada do Ceará.
Mediador: Adriano César - Mestre em fisiologia e professor de Ed. Física da Uece.
• Intervalo Coffee Break – 10h40 às 11h
• Superando Metas com a Medicina Desportiva – 11h às 11h40
Palestrante: Dr. Milton Mizumoto - Graduado pela Faculdade de Medicina da USP e especialista em nutrologia, medicina do esporte, medicina ortomolecular e acupuntura. Diretor geral da Mizumotion, Consultoria Esportiva, e diretor médico da Corpore Brasil.
Mediador: Carlos Américo Ximenes - Presidente da Federação Cearense de Atletismo.
• Intervalo – 11h40 às 14h
• Prática de Medicina Desportiva – 14h às 16h
Tema: Preparação de equipes de apoio da saúde em eventos esportivos.
Palestrante: Dr. Milton Mizumoto e enfermeiros da Corpore.
• Filme de 4 minutos sobre a prática;
• Apresentação de dois coordenadores da equipe Care4You, que irão simular o atendimento prático;
• Apresentação da logística do atendimento médico no dia da prova.
• Fisioterapia da Coluna Vertebral – 16h às 18h
Palestrante: Dr. Helder Montenegro. Integrante da equipe do Instituto Fazzi-Amatuzzi em São Paulo; como professor de pós-graduação, promoveu em 2001 o I Congresso Internacional de Fisioterapia Manual e participou de cursos e estágios na Europa (Podoposturologia, Osteopatia, Cadeias Musculares) e nos Estados Unidos (Maitland e Programas científicos da Chattanooga Group utilizando Eletroterapia, Mesa de tração Triton DTS, Mesa de Flexão Ergostyle e Estabilização Vertebral).
/ Tags: SECEL
Prazo de Licitação do Presidente Vargas é prorrogado
Nesta quinta (05), foram abertos, pela Comissão de Licitação da Prefeitura de Fortaleza, os envelopes das empresas candidatas a executar a reforma do Estádio Presidente Vargas. Como determina o edital, as candidatas tiveram 20 minutos para apresentar a proposta e todo o processo foi acompanhado por seus representantes.
Após a abertura dos envelopes, a equipe da Comissão checou o material trazido, verificando que nenhuma das candidatas estava com a documentação toda correta. "Agora teremos um prazo de oito dias úteis para que as empresas tragam as correções", afirmou Carlos Augusto, presidente da comissão.
Após o lançamento do edital, as candidatas contaram com 30 dias para vistoriar a área (momento em que são feitas todas as avaliações necessárias pela própria empresa). Quando a documentação correta for entregue, o passo seguinte é encaminhar a empresa para a ordenadora de despesa, a Secretaria Executiva Regional IV.
05/11/2009 / Tags: Esporte, SECEL
Secel promove a Abertura das II Olimpíadas do Servidor
Na última quarta-feira, 04 de novembro, uma solenidade realizada no Ginásio Paulo Sarasate, com a presença de secretários e colaboradores da Prefeitura de Fortaleza, deu início à segunda edição das Olimpíadas do Servidor Público Municipal.
O evento é uma realização da Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Esporte e Lazer de Fortaleza (Secel), e tem por objetivo promover prática desportiva e a integração entre os servidores do município.
A abertura teve início com um animado desfile das delegações que representaram os 1.530 participantes inscritos na competição, nas modalidades de basquete, vôlei, futsal, atletismo, handebol, natação, corrida e jogos de mesa e tabuleiro (xadrez, dama e dominó). Carregando placas que identificavam as secretarias e órgãos, mais de 200 servidores de carreira, funcionários terceirizados, bolsistas e estagiários percorreram a quadra e perfilaram-se para ouvir o hino nacional.
A solenidade contou com a presença do secretário de Esporte e Lazer de Fortaleza, Evaldo Lima, além do titular do Procon Fortaleza, João Ricardo, e do secretário da Fundação de Desenvolvimento Habitacional de Fortaleza (Habitafor), Roberto Gomes.
Segundo o titular da Secel, Evaldo Lima, “mais importante do que vencer ou perder, as Olimpíadas do Servidor estimularm a prática desportiva, a busca por um estilo de vida saudável e a coletividade cidadã”. Em seguida, houve a entrega de prêmio para os representantes da SER I, escolhida a delegação mais animada do evento.
Em nome de todas as delegações, a servidora Alana Muhamed realizou o juramento do atleta, em que se comprometeu a privilegiar o espírito esportivo e o jogo limpo. Representando a comissão de arbitragem, Manuel Araújo, um dos melhores árbitros de futsal do mundo, realizou o juramento prometendo respeitar e cumprir com lisura todas as regras que regem as disputas esportivas.
Para encerrar a abertura, houve a tradicional corrida com a tocha olímpica, que ficou a cargo do supervisor de endemias da Secretária Municipal de Saúde, Francisco Alves do Nascimento.
/ Tags: Conjuntura Nacional, Politica
Começa hoje o 12° Congresso Nacional do PCdoB
Começa na noite desta quinta-feira (5) o 12º Congresso do PCdoB. Cerca de 1.500 pessoas devem passar pelo Anhembi, em São Paulo, até domingo, quando termina a plenária final. O Partido chega a esta etapa otimista, em fase de ascensão e confiante na possibilidade de contribuir para implantar no país um novo projeto nacional de desenvolvimento que sirva como caminho brasileiro para o socialismo. “Estamos numa fase favorável e podemos dar passos ainda maiores”, afirma o presidente Renato Rabelo.
Durante os quatro dias de plenária final do 12º Congresso, os internautas poderão acompanhar suas atividades através do portal Vermelho e da página especial do 12º Congresso. Serão reportagens escritas, transmissão ao vivo da plenária, vídeos-reportagens, programação de áudio e galeria de imagens que levarão aos militantes e simpatizantes do PCdoB informação atualizada sobre os principais acontecimentos do Congresso. Os participantes do evento também poderão contribuir enviando seus próprios vídeos.
Um dos principais momentos será o ato político, nesta sexta-feira, que contará com a presença do presidente Lula, além de ministros, parlamentares e figuras destacadas da política nacional. Além de sua programação tradicional, o Congresso terá show de Jorge Mautner, lançamento de livros – como o do presidente Renato Rabelo, Ideias e rumos –, lojas e atividades culturais.
Da resistência à era Lula
Num momento em que o mundo lembra os 20 anos da queda do Muro de Berlim, em novembro de 1989, o PCdoB comemora o fato de, desde então, ter não apenas resistido ao fim da experiência soviética e do leste europeu como, também, ter crescido em número e em influência política. Em 2001, quando o partido realizava seu 10º Congresso, contava com 33.948 membros. Quatro anos depois, no 11º Congresso, saltou para 69.638. Hoje, alcança 102.332 (veja o mapa por região). Mas não é só isso: aumentou sua bancada federal, tendo hoje 14 deputados e um senador, um ministro (Esporte), centenas de prefeitos e vereadores e prestígio crescente nas frentes política, social e intelectual.
“Com o fim da ditadura militar, o PCdoB compreendeu que a formação de um partido que atuasse no âmbito dos trabalhadores, o PT, não poderia ser antagônico ao PCdoB. E compreendemos que mesmo não tendo a mesma ideologia, o PCdoB podia ser um aliado importante porque o PT expressava os anseios dos trabalhadores naquele momento”, lembra Rabelo.
Nascia assim a parceria histórica que culminou com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002. “Percebemos que mesmo sendo força minoritária, deveríamos participar de seu governo”, diz. “E com isso, quebramos uma série de tabus. Mesmo em períodos de crise, não entramos no ‘bloco dos desesperados’, mas ao mesmo tempo compreendemos quais eram os limites do governo”. Assim, o partido não só ajudou nesse novo ciclo aberto por Lula como também se beneficiou dele. “O aumento de nossa influência política está ligado ao fato de termos tido maior acesso ao nosso povo, o que de outra forma o PCdoB não teria conseguido”, reconhece Rabelo.
O dirigente lembra que o PCdoB percebeu nas vitórias do governo Lula e nas transformações de sentido popular, anti-imperialista e de esquerda ocorridas na América Latina o nascimento de um novo contexto. “Todo esse contexto levou o partido a compreender que precisava ter maior audácia política e aumentar sua atuação e influência no plano político e social. O PCdoB passou a ter uma ação mais efetiva nos processos eleitorais. Os comunistas se restringiam apenas às eleições proporcionais – o que dificultava o reconhecimento do partido pela maioria do eleitorado – e com essa decisão, passou a disputar eleições majoritárias e a ser mais conhecido”.
No campo das lutas sociais, o PCdoB resolveu investir numa nova central sindical de caráter classista e plural que buscasse a hegemonia dos trabalhadores na sociedade. Nascia assim, em 2007, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). “Num primeiro momento, isso parecia quase impossível, mas junto com outras forças políticas e tendências sindicais conseguimos construir a central, o que hoje mostra que a posição adotada foi justa. A CTB se amplia e nunca tivemos uma influência tão grande no âmbito sindical e operário como temos hoje”, enfatiza.
Adaptação à realidade concreta
Ao analisar a trajetória do PCdoB desde sua criação, em 1922, até os dias atuais, Renato Rabelo constata que apesar de todas as mudanças pelas quais passou, conseguiu manter sua identidade comunista e revolucionária. “Quando foi reorganizado em 1962, o partido buscava justamente reafirmar sua feição revolucionária contra qualquer tentativa reformista ou revisionista”.
Assim, quando nos anos 1990 parte do movimento comunista entrou num processo de negação de sua ideologia, o PCdoB seguiu mantendo suas posições. Ao mesmo tempo, porém, o partido procurava renovar sua política e organização a fim de tornar-se contemporâneo. “Um partido de ação política deve estar no centro dos grandes acontecimentos políticos. A renovação e a contemporaneidade se deram, portanto, neste sentido. Manter a rigidez de posições sem levar em conta as mudanças do tempo poderia nos transformar numa seita. Por outro lado, o Partido não podia se transformar num corpo amorfo, jogado a uma vala comum em que muitos partidos entraram de defesa de posições social-democratas”.
Lição principal tirada desde o fim da experiência soviética é que não há modelo único de construção do socialismo. “Muitos imaginam e insistem na ideia de que se não seguirmos uma determinada fórmula de conquista do poder, estaremos caindo no revisionismo e esta é uma visão superada. Mesmo dentro do partido havia visões dogmáticas que limitavam a emancipação do pensamento e isso é antidialético. Por isso, seguimos um caminho que levava em conta a nova realidade política brasileira”, diz Rabelo. Mas, enfatiza: “não abrimos mão de algumas questões que são essenciais e uma delas é que o capitalismo é finito e pode ser superado. E o nosso grande objetivo é a superação profunda e revolucionária deste sistema, abrindo caminho para uma sociedade mais avançada”.
Debruçado sobre essa nova fase aberta por Lula, o PCdoB procurou formas de alcançar a sociedade socialista com um olhar adaptado ao contexto atual somando a isso as lições deixadas pela queda da URSS. “Era preciso combinar reformas estruturais e rupturas levando em conta acumular forças para se atingir nosso objetivo maior”, colocou.
Assim, ao longo dessa caminhada, os comunistas chegaram à formulação que hoje é o ponto fundamental defendido em seu 12º Congresso: a busca por um novo projeto nacional de desenvolvimento capaz de superar as dificuldades estruturais do país que ainda o impedem de alçar vôos mais altos. “Estamos em um momento em que podemos criar condições para o socialismo desde que possamos desenvolver um novo projeto nacional que enfrente as deformações acumuladas na trajetória do Brasil. Podemos contribuir para elevar a consciência social e política da maioria da população e dos trabalhadores, o que nos aproxima da sociedade socialista”.
É neste espírito que milhares de comunistas de Norte a Sul do país se reuniram durante os três meses de processo congressual para discutir a linha de atuação do Partido nos próximos quatro anos em consonância com as necessidades brasileiras. “Este congresso se realiza num momento muito favorável e sem dúvida a linha adotada pelo governo Lula contribuiu diretamente para isso. Ou seja, temos de aproveitar para impulsionar as transformações que o Brasil necessita levando em conta uma nova realidade de maior soberania, democratização, conquistas sociais e aprofundamento das relações com os vizinhos em torno de uma integração solidária. Podemos e vamos dar passos ainda maiores. O PCdoB está muito otimista”.
04/11/2009 / Tags: Esporte, SECEL
Olimpíadas do Servidor divulgam tabela de jogos do Futsal Masculino
Confira abaixo lista dos jogos da primeira fase de futsal masculino da II Olimpíadas do Servidor.
Endereços dos locais:
- GMF: Guarda Municipal de Fortaleza, na Rua Delmiro de Farias, 1900, Rodolfo Teófilo. Telefone 3066.2300.
- GPS: Ginásio Paulo Sarasate, na Rua Ildefonso Albano, 2050, Dionísio Torres. Telefone 3254.5848
- CLF: Colégio Lourenço Filho, na Rua Barão do Rio Branco, 2101, Centro. Telefone 4009.6000
Na próxima semana a Secel divulga os horários e locais dos jogos das outras modalidades.
/ Tags: Conjuntura Nacional, Politica, Videos
Protógenes Queiroz explica por que escolheu o PCdoB
Protógenes Queiroz, em entrevista para o Portal Vermelho, explica porque escolheu o PCdoB como seu partido. "Esse partido consegue se superar, retirar todas as pedras e os espinhos do caminho e se colocar no cenário nacional aliado a uma proposta de um Brasil diferente. O PCdoB é a sigla vitoriosa, dentre todas as existentes", explica Protógenes nesta entrevista para Bernardo Joffily e Priscila Lobregatte.
Não deixem de assistir, no final da matéria, o vídeo em que Protógenes anuncia publicamente, a todos os cidadãos brasileiros, a sua filiação ao PCdoB.
Protógenes Queiroz: "O Brasil é que tem de aparecer!"
"Num primeiro momento foi difícil me convencer a me filiar a um partido político, a deixar aquilo que eu fazia antes – ser servidor público – e lançar-me a cumprir essa exigência maior da sociedade que é participar do processo político", relata Protógenes. "Mas, o mais difícil mesmo foi escolher..."
Uma fila de siglas partidárias ofereceu suas fichas de filiação, de olho na elevada popularidade da causa que o delegado encarna. Ele cita o PSDB, DEM, PDT, PSB, PSol e PCdoB. Mas a dificuldade, segundo Protógenes, deveu-se a outros motivos, nâo à quantidade de pretendentes. Veja os trechos principais da entrevista exclusiva de Protógenes Queiroz.
Bernardo Joffily: Por que "o mais difícil" foi escolher o partido?
Protógenes Queiroz: Porque, salvo raríssimas exceções, não temos partidos políticos no Brasil comprometidos com interesses nacionais. Temos partidos que atendem a interesses de grupos ou de pessoas. De tempos em tempos – principalmente em período eleitoral – essas legendas buscam o voto para legitimar o processo eleitoral, sem nenhum compromisso com a população. E afirmo que ficaria mais fácil para a população entender a política a partir do momento em que todos os escândalos ocorridos na República fossem resolvidos não à sombra, mas sim à luz do dia, de maneira que todos nós, cidadãos e eleitores, tivéssemos acesso às informações com a transparência a que temos direito. Qual senador foi à população explicar o que ocorria no Congresso? Ficam no parlamento se digladiando, flagelando a política brasileira. Eles mesmos se desqualificam e acabam desrespeitando o nosso voto, o que é mais grave. Estou decidindo hoje, dia 2, que essa participação política é necessária e a minha decisão é por um partido que atende às necessidades básicas da população e tem um projeto para o Brasil e esse partido é o PCdoB.
Priscila Lobregatte: Em seu blog, você diz que há uma falsa pluripartidarização no país...
Protógenes Queiroz: Essa falsa pluripartidarização nasce num processo legitimado pela legislação eleitoral. Mas, seu real funcionamento não atende, como deveria, às transformações sociais que hoje o país e a sociedade necessitam. Os partidos muitas vezes sentam-se à mesa como se convergissem em um só interesse e as legendas tornam-se apenas um leque de opções abstratas para o eleitor. No entanto, eles negociam para atender a interesses de grupos e de pessoas. Outros partidos menores, para ter credibilidade, têm de se aliar a um de maior visibilidade que possa, por sua história, adotar um projeto de país que atenda àquelas necessidades.
Bernardo Joffily: Primeiro você escolheu um campo político e depois o partido que fizesse parte da base de sustentação do governo Lula. Qual o significado dessa opção?
Protógenes Queiroz: A política brasileira foi construída a partir de dois segmentos. Após a ditadura militar, um grupo se organizou para construir outro tipo de país. Mas esse grupo se dividiu logo no início da caminhada. Uma parte optou por uma política neoliberal e pensava “esse país teve grandes compromissos com o Estado e acabou alijando a sociedade. Então, vamos diminuir esse Estado e aumentar os compromissos com a sociedade”. Nasceu assim a figura do Estado mínimo, caracterizado pelas privatizações. Esse grupo achava que assim conseguiria atender às necessidades básicas da população com o dinheiro apurado nas privatizações e combater a miséria, aumentar acesso à educação, à segurança etc. Porém, esse modelo faliu porque o dinheiro sumiu sem nenhuma explicação, nem punição.
O outro bloco, de esquerda – que se formou com PT, PCdoB, PDT, PCB, PSB e mesmo PPS – tinha o objetivo de resistir a esse modelo neoliberal que não estava dando certo. O Estado praticamente deixou de existir e foi substituído por um grande conglomerado privado que mandava no país. Formou-se então um campo de resistência em torno dos trabalhadores. A classe operária, insatisfeita com esse modelo, se reuniu em torno de uma sigla chamada Partido dos Trabalhadores buscando, no processo de reconstrução do país, um modelo mais focado no social, nas populações mais carentes. Enfrentamos o processo político por meio do voto e vencemos com a eleição de Lula. E esta foi uma vitória histórica da classe produtiva. Um operário de pouco estudo deu certo porque tinha a visão de que o Estado precisava ser mais rápido em suas ações.
Bernardo Joffily: Seu nome é muito associado à luta contra a corrupção. E para quem abre o jornal hoje, essa parece ser uma bandeira da oposição ao presidente Lula. Como fica essa conexão: ser um militante do governo Lula e um embandeirado da “luta anticorrupção”?
Protógenes Queiroz: Para mim, não foi difícil. Tive a percepção de que havia um projeto em movimento que precisa avançar e que não seria construído em quatro ou oito anos. Mas a minha percepção é de que nesses dois mandatos avançamos muito e conseguimos reverter aquele processo anterior em que o Estado não tinha nenhuma presença no campo social. Lula teve essa percepção e a coragem de, como primeiro projeto, implantar um programa de combate à fome, além do Bolsa Família, que consistem em levar uma fatia do bolo do Estado para a população mais carente, atendendo às suas necessidades mais primárias. Portanto, fatos ocorridos em suas administração não desqualificam o projeto de país que ele iniciou e o credencia como o presidente mais importante da história da República brasileira após Getúlio Vargas. Essa marca ninguém tira dele.
Priscila Lobregatte: Acredita que houve exploração de certos fatos com o objetivo de desgastar o governo?
Protógenes Queiroz: Com certeza. Não posso revelar certos dados porque são sigilosos, mas posso afirmar que a desestabilização do Congresso Nacional e a desqualificação da classe política foi uma engenharia de setores ligados a esse Estado mínimo brasileiro e ao capital internacional para que o projeto de Brasil, liderado pelo presidente Lula e apoiado pelos partidos de esquerda, não fosse implementado. É o caso, por exemplo, do pré-sal. Lula tenta reverter um marco regulatório nefasto, atrasado e que privilegia o capital privado, montado em 1998 na era de Dom Fernando II, que mudou até a Constituição da República e passou como um rolo compressor sobre o Congresso para atender a esses interesses.
Nós, comprometidos com os interesses da sociedade, temos que mobilizar a população e apoiar o presidente para que essa renda de exploração do pré-sal seja dividida pelo país inteiro e não usado apenas para atender aos estados mais ricos da Federação, como São Paulo e Rio de Janeiro. É uma visão sócio-econômica e política equânime e desenvolvimentista que visa o progresso e o atendimento das necessidades principalmente das camadas sociais mais pobres.
Bernardo Joffily: Por falar em pressão, a sua carreira como delegado da Polícia Federal vem sofrendo um bocado de pressão. O Protógenes Queiroz militante político está preparado para enfrentar a pressão triplicada que vai vir pela frente?
Protógenes Queiroz: Sim. Quem passou por uma Operação Satiagraha, quem sabe todos os fundamentos que essa operação teve e que seu nome em sânscrito carrega, certamente vai conseguir superar todos os obstáculos e óbices. Sei que o meu caminho tem muitas pedras e espinhos. Mas todos esses obstáculos vão servir para fortalecer ainda mais a nossa luta, para que a vitória venha com bases mais sólidas e a participação de uma grande maioria de brasileiros.
Bernardo Joffily: Você tem um projeto eleitoral, por exemplo, para 2010?
Protógenes Queiroz: Não é um projeto que vamos redigir, sentados numa sala, com vários técnicos. A população será ouvida para que saibamos quais são as necessidades de quem está na ponta, sofrendo. Esse sim vai ser o meu projeto.
Bernardo Joffily: E mais especificamente está sendo construída uma candidatura sua em 2010?
Protógenes Queiroz: Sim, sim. Temos que continuar com o combate à corrupção, através de um sistema mais eficaz, mais transparente, na aplicação dos recursos públicos, conclamando o povo brasileiro para que vigie a verba pública e participe do processo de administração; fomentar a democracia participativa seja no campo da educação, da saúde, da segurança pública, da habitação...
Priscila Lobregatte: Boa parte dos problemas da política hoje é decorrente do sistema político. Que tipo de reforma seria necessária para melhora-lo?
Protógenes Queiroz: Em primeiro lugar, um compromisso, não é? Não adianta lançarmos um projeto de reforma política num Congresso Nacional que não tenha legitimidade. Temos que sentar todos à mesa, todos os atores, todos os responsáveis, para discutir o Brasil, que tipo de país nós queremos e qual a via de construção e partir para um debate no Congresso onde as discussões não sejam aviltadas para se atender a interesses de grupos ou de pessoas. Tem de haver um pacto da indústria com o trabalhador, com o jovem, com o representante da sociedade carente, com os agricultores. Tem de haver uma discussão como nunca houve no Brasil. E para isso é preciso chamar a população e pedir que ela participe do processo. Alguns governantes tentaram fazer isso. Getúlio tinha essa prática, Brizola um pouquinho também. O próprio Juscelino... Acho que hoje falta isso.
Bernardo Joffily: Fiquei sabendo que a sua iniciação nas lutas partidárias aconteceu na juventude, no tempo da ditadura, em Niterói, no Partido Comunista Brasileiro...
Protógenes. Mais precisamente em São Gonçalo... [as duas cidades fluminenses são vizinhas]
Bernardo Joffily: São Gonçalo. E agora a decisão é entrar no PCdoB...
Protógenes Queiroz: Volta às origens...
Bernardo Joffily: Tem alguma coisa a ver? Qual o seu compromisso com essa ideologia?
Protógenes Queiroz: Aos 16 anos, quando eu era aluno do segundo grau, tive o primeiro contato com os meus mestres de ensinamentos na doutrina marxista-leninista. Eram quadros brilhantes, já com certa idade, inclusive viviam na clandestinidade, todos cassados, presos.
Naquela época, com 16 anos, eu contestava porque havia um presidente general, saía, entrava outro. Em casa o meu pai era militar, homem do regime, eu perguntava e ele saía pela tangente: "Meu filho, vai tentar construir um Brasil maior. Não pense neste Brasil de hoje porque eu não tenho muito a esclarecer, a não ser o que o jornal e a Voz do Brasil já te dizem". Desde pequeno, eu tinha como hábito ouvir a Ave Maria, a Voz do Brasil e depois o Repórter Esso. E ler o jornal, todo dia de manhã cedo. Meu pai mandava comprar o jornal e eu tinha que ler junto com ele, para me informar. Então eu falei: "A culpa é do senhor porque agora tenho consciência”. E ele: "É isso que eu quero, mas tenha cautela". Com 16 anos, entendia o tipo de país que eu queria para mim e para os meus semelhantes.
E então esses grandes comunistas me diziam: "Você vai participar do Partido Comunista Brasileiro, você tem o perfil, precisamos de jovens como você". Eu até tentei levar uns coleguinhas naquela época, mas ninguém topou. Era apenas eu sentado ali naquela mesa com um monte de gente mais velha, mas de muita sabedoria. Aqueles homens pensavam o Brasil. Ingresso no PCB na clandestinidade; filio-me, participo de muitas reuniões na clandestinidade. Inauguro um jornal, chamado Alerta Geral, que foi cassado na primeira edição.
Na faculdade, entrei em contato com os companheiros da UNE, já ligados a movimentos de esquerda, ao PCB, PCdoB, MR8, o pessoal do MDB, e fiquei sendo delegado da UNE na faculdade, no primeiro congresso da UNE já saindo da clandestinidade. Na minha faculdade fui o único porque o diretório estava fechado. Desafiei o corpo diretivo da faculdade, composto por uns oficiais generais, e fui participar. Saí desse processo com uma posição ideológica bem sólida sobre o país que eu pretendia ajudar a construir.
Quando veio a legalidade, participei das Diretas Já. Comecei a avaliar e fiquei um pouco decepcionado porque a esquerda começou a se fracionar para atender a interesses individuais e de grupos, e não do país, da população. Falei: “vou partir para uma carreira solitária, de maneira que a população seja agraciada com um brasileiro que empunhou uma bandeira e vai dar consequência a ela, evitando que o dinheiro público seja sangrado em atos de corrupção”. Estava muito bem, vivia otimamente. Mas minha vida virou uma confusão danada quando eu fui empurrado a uma arena, de uma forma injusta, que eu não queria. Mas eu acho que está escrito em algum lugar, no universo, no cosmo...
Priscila Lobregatte: Em algum cantinho...
Protógenes Queiroz: ...É. Em algum cantinho alguma força arcana, divina, falou: "Olha, aparece agora" (risos). Então, apareci. E vi que o Partido Comunista do Brasil avançou e cresceu muito. Acredito que nesse processo político é o partido mais vitorioso, um partido que tem o passado que tem, sofreu as perseguições que sofreu, superou erros e tem uma política própria para o Brasil, um país em desenvolvimento, rico, multiétnico, religioso, decente. Esse partido consegue se superar, retirar todas as pedras e os espinhos do caminho e se colocar no cenário nacional aliado a uma proposta de um Brasil diferente.
Neste cenário, o PCdoB é a sigla vitoriosa, dentre todas as existentes e isso acontece devido à responsabilidade dos quadros que têm a mesma origem que eu, que nunca se desviaram daquilo que aprenderam no passado e que têm compromisso com o futuro, com a construção de um Brasil que nós acreditamos: mais justo e mais digno. Isso sem muito alarde político. É um partido cujo plano político nacional não está na panfletagem, não está nessa atividade eleitoreira. Quando falei de estar ao lado do governo e ao mesmo tempo ter lidado com a corrupção, digo que pessoas que estavam com o presidente Lula tiveram outros compromissos que não com o Brasil e se desviaram do caminho. Mas existe uma proposta política de Brasil sendo implementada. Tem que se dar consequência a isso, não é? Sair desse processo é ser irresponsável. E aqueles que abandonam esse processo estão pensando nos seus próprios interesses ou estão magoados com alguma situação que ocorreu no passado...
Bernardo Joffily: Seria o caso dos nossos amigos do Psol?
Protógenes Queiroz: Não vou classificar. Todos os partidos têm as suas virtudes e os seus defeitos. Mas eu acredito que tem pessoas, até mesmo dentro do próprio PT, insatisfeitas com a política implementada, que não têm a nítida compreensão do que está ocorrendo e do resultado que isso alcançou, da virada que nós demos ao impedir a consolidação do sistema neoliberal no Brasil. Essa foi a grande virada, a grande sacada. E o Partido Comunista do Brasil deu uma grande contribuição com fundamentos. E Lula buscou esses fundamentos, o que fica nítido quando você pega e lê as resoluções do Comitê Central, o Programa do partido e as ações implementadas hoje no governo. E o partido fez isso em silêncio, sem aparecer, porque o necessário é que haja um ganho para a população. O Brasil é que tem de aparecer.
Priscila Lobregatte: Voltando um pouco para a Operação Satriagraha: você mexeu com várias pessoas poderosas em outras operações, como o Hidelbrando Pascoal, Paulo Maluf etc. Só que quando você mexeu com o Daniel Dantas, veio a perseguição, veio o Gilmar Mendes. Por que mexer com o Daniel Dantas é tão complicado?
Protógenes Queiroz: Na verdade, eu não mexi com o Daniel Dantas. Eu mexi com o sistema neoliberal gerenciado pelo Daniel Dantas; neoliberal e criminoso, porque explorar as riquezas do nosso país de forma oculta e vendê-las, desviar recurso público, é crime. O que eu combati foi o sistema. Não foi o banqueiro condenado. Ele é apenas uma peça do sistema, que foi visivelmente exposto. Por isso eu sofri as agressões, do próprio Estado, das próprias instituições que se voltaram contra mim. Essas instituições são operadas por homens que evidentemente têm interesse em que se mantenha o status quo que o Daniel Dantas gerenciava. Isso um dia tinha que explodir. A ganância é tanta que eles chegaram ao absurdo de ter mais de 1.500 concessões de exploração do subsolo brasileiro; foram identificados e bloqueados mais de US$ 3 bilhões. Isso é o orçamento de muitas cidades brasileiras. Para mim, foi fácil porque eu não faço parte de sistema nenhum, meu sistema é o do povo brasileiro, é o do Brasil.
Priscila Lobregatte: Ligado a isso veio a questão da "grampolândia". Disseram que tinham colocado grampo numa conversa entre o presidente do STF, Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres. E ficou comprovado que foi uma grande mentira. Como você vê esse tipo de ação da mídia?
Protógenes Queiroz: Esse é um caso típico dessa engenharia com o objetivo de desestabilizar o governo Lula no segundo mandato. Sucessivos escândalos surgiram e vão surgir para consolidar a impunidade de quem tem dinheiro e poder. Isso desqualificou a Justiça, desqualificou um senador da República. Quando você desqualifica a Justiça, facilita e consolida a impunidade no Brasil porque fica claro que a Justiça só vai punir o pobre, o desempregado, o negro. Os bandidos mais perigosos da nação estão soltos, e cheios de dinheiro, aqui ou fora do Brasil.
Assistam o vídeo:
Willamy "Chiqueirinho" inicia turma de Muay Thai no Paulo Sarasate
O lutador cearense Willamy "Chiqueirinho", campeão brasileiro e sul-americano de Shooto e campeão mundial do MMA (Mixed Martial Arts) na categoria peso leve, ministrará aulas gratuitas para jovens de comunidades carentes de Fortaleza.
O projeto é uma parceria entre pastas de esporte da prefeitura e do governo do estado, Sesporte e Secel. As aulas terão como foco o Muay Thai, estilo de luta que é a especialidade de Chiqueirinho nos ringues. A primeira turma terá início a partir do dia 16 de novembro, no Ginásio Paulo Sarasate, e contará com a participação de 30 alunos.
Nesta quarta-feira Chiqueirinho esteve na Secel para acertar os últimos detalhes do empreendimento. Ao lado do Professor Evaldo, na foto acima, Chiqueirinho mostra alguns dos seus cinturões de campeão. Perguntado sobre a fama de violência das artes marciais, ele respondeu que "O futebol é um esporte muito mais violento, as chances de se machucar são muito maiores. A luta tem, acima de tudo, disciplina".
Mais informações sobre o projeto:
Willamy "Chiqueirinho" - 8778-9992
Secel - 3254-5848.
Olimpíadas do Servidor Público Municipal começam hoje
O Ginásio Paulo Sarasate irá receber a solenidade de abertura da segunda edição das Olimpíadas do Servidor Público Municipal, hoje (04), a partir de 18h30.
A abertura irá contar com a presença do secretário de Esporte e Lazer de Fortaleza, Evaldo Lima, e de representantes das delegações de todos os órgãos e secretarias participantes do certame.
A iniciativa tem o intuito de valorizar e integrar os mais de 30 mil servidores de todos os órgãos e setores da Prefeitura Municipal de Fortaleza, através de competições esportivas, dentro das seguintes modalidades: basquete, voleibol, futsal, handebol, natação, atletismo, corrida de 10km e jogos de mesa e tabuleiro (xadrez, dama e dominó).
Participação
Futsal – 65 equipes e 975 participantes (masculino e feminino)
Voleibol – 14 equipes e 210 participantes (masculino e feminino)
Basquete – 11 equipes e 165 participantes (masculino e feminino)
Handebol – 5 equipes e 75 participantes (masculino e feminino)
Natação – 27 participantes (masculino e feminino)
Atletismo e Corrida 10km – 42 participantes (masculino e feminino)
Modalidades de Mesa e Tabuleiro – 36 participantes (masculino e feminino)
Total de inscritos: 1.530 participantes.
/ Tags: Historia do Brasil
Livro ajuda a compreender sociedade brasileira à luz do marxismo
Em entevista ao Vermelho, o historiador Augusto Buonicore fala sobre as ideias defendidas em seu novo livro, “Marxismo, História e Revolução Brasileira: Encontros e desencontros”. Lançada pela editora Anita Garibaldi e Fundação Maurício Grabois, a publicação reúne escritos que buscam uma compreensão mais profunda das contradições e da história do país à luz do marxismo.
Segundo o prefácio escrito pelo jornalista José Carlos Ruy, os textos “demonstram a falsidade das teses vendidas como modernas pela mídia e o pensamento conservador dominante”. O livro faz parte do esforço realizado pela intelectualidade comunista para compreender a sociedade brasileira à luz do marxismo renovado. Simbolicamente, será será lançado no 12º Congresso do Partido Comunista do Brasil, onde o grande homenageado será o povo brasileiro. Confira a entrevista:
Vermelho: Afinal, do que se trata o livro?
Buonicore: Na verdade, o livro é uma coletânea de artigos publicados originalmente no sítio Vermelho e que tiveram por base alguns roteiros elaborados para subsidiar os cursos ministrados para militantes do movimento social e do Partido Comunista do Brasil. Os artigos abordavam temas como as particularidades do processo de formação das classes sociais e do Estado em nosso país. Tratam do problema das inúmeras transições ocorridas na nossa história e a via original de desenvolvimento do capitalismo brasileiro. Por fim, a relação entre o marxismo e a questão racial e as interpretações existentes sobre o que seja o povo brasileiro. Em outras palavras - e resumindo – tratam de retomar, sob múltiplos aspectos, o velho debate sobre os limites e possibilidades da Revolução Brasileira.
Vermelho: Como surgiu a idéia de publicar um livro tratando de aspectos da história e da sociedade brasileira sob a ótica do marxismo e do leninismo?
Buonicore: Na década de 1990 ressurgiu, com redobrada energia, no interior da esquerda comunista brasileira, a necessidade de conhecer mais e melhor a nossa sociedade a partir da perspectiva histórico-crítica do marxismo. Um movimento importante que foi resumido na palavra de ordem “Marxismo mais Brasil”. Ele visava cobrir uma lacuna importante na formação dos militantes comunistas: o da articulação do instrumental teórico marxista e leninista, agora desprovido de sua carga dogmática, e o conhecimento do Brasil. Afinal, se queremos mudar uma sociedade é preciso que a conheçamos profundamente e o melhor instrumento para conhecer qualquer sociedade continua sendo o marxismo.
Vermelho: Você critica a antiga cultura comunista. Qual seria ela?
Buonicore: Nossa cultura era mais voltada para o conhecimento da história dos movimentos operário e socialista do outro lado do Atlântico. Os comunistas conheciam mais a história das revoluções européias, especialmente a russa, do que a própria história das lutas sociais ocorridas no Brasil. Nos nossos cursos, pouco espaço era dado ao estudo da formação econômica, política e social brasileira. Questões relativas à constituição e às peculiaridades das classes sociais, do Estado e da própria revolução burguesa no Brasil eram pouco tratadas.
Vermelho: Deve-se, então, abandonar os estudos das experiências internacionais ou relegá-las a um segundo plano?
Buonicore: É claro que não. As revoluções vitoriosas – russa, chinesa, cubana, vietnamita - e mesmo as derrotadas - muito tem a nos ensinar. Por isso, devemos continuar estudando-as. Nosso país não é uma ilha e os comunistas são os guardiões de tudo o que a humanidade produziu de mais avançado. Não somos e jamais seremos nacionalistas estreitos. Mas, esse conhecimento das experiências revolucionárias internacionais, embora importante, é insuficiente para que consigamos construir a estratégia adequada ao país e consigamos transitar ao socialismo.
Vermelho: Por outro lado, também, existe uma plêiade de notáveis historiadores marxistas que buscaram entender melhor a história desse país e deram grandes contribuições na construção de uma visão crítica sobre o Brasil. Por sinal, a maioria dele era ligada ao partido comunista.
Buonicore: Sim, isso é verdade. Diria mesmo que não somente entre historiadores ou sociólogos. Nas próprias fileiras do PCdoB, reorganizado em 1962, existiram aqueles militantes que dedicaram esforços ao estudo da história brasileira. Gosto sempre de citar o exemplo de Pedro Pomar que, na mais dura clandestinidade, escreveu “O povo conquistará a verdadeira independência” e “Em memória de Frei Caneca”. No campo acadêmico podemos citar os nomes dos comunistas Caio Prado Jr, Paula Beiguelman, Nelson Werneck Sodré, Jacob Gorender, Clóvis Moura entre outros. Cada qual, da sua maneira, ajudou a colocar sua pedra nesta complexa e nem sempre retilínea construção. Mas devemos dizer que eles tiveram sempre uma relação conflituosa com o Partido Comunista, ficando, em geral, relegados a uma situação secundária e periférica. Eram, muitas vezes, vistos com desconfiança.
Vermelho: Sei que você já falou várias vezes sobre isso. Mas, qual é o sentido da história brasileira?
Buonicore: O país que temos tem as marcas das lutas do nosso povo — dos negros escravizados, dos camponeses, dos operários, da intelectualidade progressista. Mesmo quando derrotadas elas ajudaram empurrar a roda da história para frente. Por isso, o sentido geral de nossa história é bastante positivo. Tomo a liberdade de concluir citando um trecho de um dos artigos: “A Independência, por exemplo, deu-nos um Estado Nacional (ainda que escravista), condição básica para consolidação de uma Nação; a abolição da escravidão eliminou o principal entrave a expansão do 'trabalho livre' e do capitalismo; a proclamação da República criou as condições político-institucionais para a constituição de um Estado de tipo burguês e a revolução de 1930, ao deslocar a hegemonia dos setores agrário-exportadores, abriu o caminho para consolidação da burguesia brasileira no poder, a expansão da industrialização e a constituição de uma cidadania ainda que limitada. Por esse caminho peculiar de uma revolução burguesa "a fogo lento", as relações de produção capitalistas foram se tornando hegemônicas. Esta era uma das condições indispensáveis para o desabrochar de uma outra revolução, mais bela e generosa: a revolução socialista”.
02/11/2009 / Tags: Esporte, SECEL
Roxane Vaisemberg vence Vivian Segnini e leva o título em Fortaleza
A tenista brasileira Roxane Vaisemberg é a nova campeã do Set Point Classic Open de Tênis Feminino. Vaisemberg teve uma certa dificuldade para vencer a sua compatriota, Vivian Segnini, por dois sets a zero, neste sábado.
No primeiro set, Roxane Vaisemberg foi perfeita em quase todos os games e não teve muita dificuldade para vencer a adversária por 6/4. Mas, no segundo set, Vivian Segnini se reencontrou na partida e levou a decisão para o tai-break. No desempate, Roxane Rosemberg teve mais equilíbrio emocional nos pontos decisivos e fechou o set em 7/6 (7/5).
O torneio Future Fortaleza ofereceu uma premiação de US$ 10 mil e pontos no Ranking Mundial da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP).
O Set Point Classic Open de Tênis Feminino teve o patrocínio do Governo do Estado, através da Secretaria do Esporte; da Prefeitura de Fortaleza, pela Secretaria do Esporte e Lazer; da Cerveja Heineken e apoio da Serra Grande Água Mineral Natural e Praia Mansa Suíte Hotel. A realização é da Classic Promoções e Set Point.
Assessoria de imprensa
Monalysa Alencar - Mte 2316
(85) 9139-4176.
01/11/2009 / Tags: Cultura, Musica
Sting: "Sou socialista, mesmo sendo rico"
Gordon Matthew Sumner é um homem que está colocando ordem em sua vida. Sua mãe morreu aos 53 anos; seu pai aos 57; ele acaba de completar 58. Não pode ir ao enterro de nenhum dos dois quando eles faleceram no final dos anos 80; estava em turnê. Gordon Matthew Sumner, mais conhecido como Sting, diz que hoje em dia está enfrentando os fantasmas do passado.
El País: O que esse processo lhe traz?
Sting: Uma sensação de estar ligando os pontos, de fechar um círculo; de que não fique nada sem ser dito nem feito. Estou num período da minha vida em que preciso colocar as coisas em ordem.
El País: Por quê?
Sting: Porque é isso que os seres humanos fazem em algum momento. Há uma parte de sua vida na qual tudo é caos, movimento; há outro momento no qual você precisa ordenar e limpar a casa.
Agora faz 33 anos que ele deixou Newcastle em busca de uma carreira musical em Londres. Foi em dezembro de 1976, no comando de um Citroën Dyane abarrotado. Com ele viajavam Frances, sua primeira mulher; Joseph, seu primeiro filho, recém-nascido, e um cachorro. Pouco suspeitava naquele momento que viajava rumo a um sucesso mundial com sua banda, The Police, o projeto pelo qual será lembrado. O grupo com o qual disse que nunca voltaria a tocar e com o qual percorreu o mundo há um ano e meio.
Há alguns meses, Gordon Matthew Sumner voltou a Newcastle. Fez a viagem de volta. Para enfrentar seus fantasmas, diz. Seu novo lançamento não está livre do processo no qual anda debruçado. "In on a Winter's Night" é uma coleção de canções de inverno onde há chaminés, espíritos, contos e fantasmas. Sting abriu as portas de sua casa em Londres ao El País. Apareceu com o aspecto de um Capitão Haddock de olhos azuis e cabelo castanho. Bonito, alto e hoje, um pouco seco.
El País: Então estamos diante do seu álbum branco.
Sting: Sim, com sorte será isso. Parece que as pessoas gostam, pode ser que faça sucesso. Não esperava fazer esse disco agora.
El País: Por que não?
Sting: Porque nunca sei o que vou fazer em seguida. Alguém me sugeriu há 18 meses: "Por que não faz um disco de natal?". Eu respondi: "Não, não faço isso. Farei um disco sobre o inverno". Comecei a pesquisar discos sobre o inverno de diferentes séculos. Canções sagradas, seculares, folk... Para produzir um disco diferente; não é um disco normal.
El País: É um pouco estranho que, a estas alturas de sua carreira, alguém chegue da gravadora para sugerir que você faça um disco de Natal.
Sting se move no assento de couro preto no segundo andar de sua casa em Londres. O couro preto do sofá range pela primeira vez durante esta entrevista
Sting: Eu escuto as sugestões, posso dizer sim ou não. Mas, bem, sim, provavelmente é uma ideia comercial. Para mim o inverno é uma estação que me intriga, me inspira.
A casa de Sting em Londres fica a quase meio quilômetro do Palácio de Buckingham. Fica de frente para o parque St. James. No segundo dos quatro andares fica a sala em que acontece a entrevista, um espaço para relaxar, para tocar: piso de largas tábuas de madeira, sofá de couro preto desgastado tipo Chester, um piano de cauda, um suporte com partituras e um baixo elétrico do qual se apropriou a rainha da casa, sua filha Coco.
Coco também é protagonista nas almofadas do sofá da sala, no térreo. O rosto de cada um dos quatro filhos fruto de seu segundo casamento com a atriz e produtora Trudie Styler está estampada nas almofadas que repousam sobre o sofá. Todo um exercício kitsch.
El País: Como foi a turnê de reunião com o The Police? Disseram que houve, mais uma vez, uma briga de egos no grupo.
Sting: Isso não é o importante. O importante é que atamos os pontos, fechamos o círculo. Dissemos: "Aqui estamos". Precisávamos mostrar ao público que podíamos voltar a fazê-lo. Esta aí.
El País: Ficou satisfeito com a experiência?
Sting: Foi uma das turnês mais bem sucedidas da história. Meu instinto foi de fazê-la nesse momento, eu me sinto bem. Criamos um sentimento de nostalgia, o público desfrutou disso. Ganhamos muito dinheiro, consegui mais liberdade. Foi um sucesso em todos os níveis.
Sting pronuncia a palavra sucesso com orgulho. Ele continua fazendo sucesso. Ainda que seja um sucesso baseado no passado. Ainda que seus trabalhos se baseiem, já faz alguns anos, em repertórios alheios. Ainda que a inspiração como compositor lhe pareça esquiva e que viva fundamentalmente abraçado a suas qualidades de intérprete, quer seja para cantar músicas tradicionais (as do compositor John Dowland do século 16 em "Songs from the labyrinth", 2006), as canções que compôs quando era jovem (eis aí sua turnê 2007-2008 com o The Police) ou seu novo lançamento, onde há temas de Schubert e Bach.
El País: Por que não gravou algo novo com o The Police?
Sting: Porque havia sido um exercício para criar nostalgia. Não íamos fazer nada novo. Foi isso o que pensei.
El País: Isso foi algo que você percebeu durante a turnê?
Sting: Acho que sabia disso desde o princípio. Que íamos recriar algo, não fazer algo novo.
Sting vendeu 80 milhões de álbuns com o The Police. Têm vinhedos em sua propriedade da Toscana, onde gravou o disco, que será lançado em 10 de novembro; um castelo em Wiltshire (sudoeste do Reino Unido); uma cobertura dúplex em Manhattan, Nova York; uma casa em Malibu, Los Angeles. Sua fortuna está estimada em 205 milhões de euros, segundo a lista dos homens mais ricos do jornal The Sunday Times.
El País: O que ainda existe daquele jovem que subiu num Citröen Dyane no final de 1976?
Sting: Encontrei-me com esse cara há pouco tempo, voltei à minha cidade. Passei duas semanas lá. Fazia 40 anos que eu não passava duas semanas lá.
El País: Em Wallsend [sua cidade natal]?
Sting: Na região de Newcastle. Estive com a minha gente. Encontrei velhos amigos, pessoas com as quais estudei; encontrei com alguns fantasmas que já não estão entre nós, mas que continuam na minha mente, mais fantasmas do que eu imaginava... Vi a mim mesmo fazendo essa viagem há 40 anos, e decidi voltar. Teve sentido para mim, de certa maneira, isso deu forma à minha vida.
El País: E reconhece o cara do Citroën?
Sting: Claro que o reconheço, e o compreendo melhor do que ele me compreende. Ele não me entende para nada. É bom fazer isso numa idade como a minha, 58, e ter essa perspectiva da vida em vez de andar à deriva.
El País: Numa entrevista que foi publicada nesse jornal, você dizia...
Sting: Deve estar certo, então.
El País: Deve estar certo, sim; você dizia que gostava do jogo da fama e do sucesso. Continua gostando?
Sting: Sim. Continua sendo um jogo, de toda forma, e os jogos não são tão importantes. São divertidos. Mas isso não é a vida. A vida está em outro lugar. A vida são as relações, a família, os amigos. Eu não me vejo como esse personagem famoso, não me vejo como Sting. Sei quem sou e leio coisas absurdas sobre mim, às vezes falam de uma pessoa muito má, outras de uma pessoa muito boa, mas a verdade está no meio. Não quero ser nem o demônio, nem o santo; gosto de ficar no meio, gosto dessa liberdade.
El País: A fama também tem um custo.
Sting: Sim, veja a vida de Michael Jackson, o cantor de pop mais famoso do mundo e provavelmente o mais infeliz, a equação é simples: o sucesso e a fama não significam felicidade, às vezes significam o contrário. Eu posso andar por qualquer cidade que não sou incomodado. Eu não convido a histeria, não vou com guarda-costas, assim as pessoas me respeitam, cumprimentam-me, podem pedir uma foto e eu tiro, mas não há histeria nem sensação de medo; odeio isso. Michael Jackson é o meu exemplo, ele estava rodeado de... histeria, do tipo equivocado de atenção... Assim não é surpresa que já não esteja entre nós.
El País: Outro jornal publicou que uma de suas cozinheiras, Jane Martin, acusou-o de tê-la demitido por estar grávida em 2007 e revelou algumas intimidades sobre seu estilo de vida. A mulher ganhou o julgamento. Como acabou essa história?
Sting: [Tosse] Emprego mais de 100 pessoas na minha casa, em minhas casas. Estão muito contentes, eu as trato muito bem, sou muito generoso. Há ocasiões em que algumas pessoas querem tirar mais dinheiro, mais dinheiro; e a melhor maneira de tirar mais dinheiro é mentir, sempre há alguém que quer ouvir uma nova história sobre você, sempre. Vão aos jornais, contam a história, isso é uma merda. Não é certo [diz com um hilillo de voz].
El País: Há 15 anos você se colocava à frente de múltiplas causas, como a preservação da floresta amazônica; você tinha uma maior presença como ativista. Foi dissuadido pelas críticas que recebeu?
Sting: Não foi pelas críticas. Simplesmente, às vezes, as celebridades e as causas confundem, porque as pessoas veem você, mas não veem aquilo do que você está falando. Agora fico nos bastidores. Arrecado fundos e são outros os que falam, os especialistas. Meu instinto me dizia há 20 anos que se destruíssemos a floresta, o clima sofreria. Agora comprovamos cientificamente o aquecimento global, portanto eu não estava falando besteira.
El País: Logo haverá eleições no Reino Unido, parece que os conservadores retomarão o poder. Qual é a sua opinião?
Sting: Bom, aqui costumava haver uma esquerda; ela já não existe mais. É como se houvesse um só partido, nos parecemos mais com os EUA. E talvez isso não seja bom.
El País: Seu coração continua de esquerda, ou não mais?
Sting se mexe, o couro preto do sofá volta a ranger.
Sting: Sim, eu venho da classe operária. Continuo sendo de esquerda, continua sendo socialista [e ao se ouvir, começa a rir, como que antecipando a reação de alguns quando o lerem], embora seja muito rico.
El País: É?
Sting: Sim.
El País: E o fato de ser tão rico não faz com que tenha nenhum conflito interior?
Sting: Não. Sou muito rico, mas invisto o dinheiro nas pessoas. Emprego muita gente. Gasto o dinheiro, não guardo, eu gasto; e acredito que o gasto bem.
El País: O que você aprendeu durante a gravação deste último disco?
Sting: o disco é sobre enfrentar os fantasmas do passado. Acredito que isso é o inverno: você se senta com os fantasmas e fala com eles, escuta o que eles têm a dizer. E só então pode passar para a primavera. É preciso enfrentar o passado.
El País: Foi esse processo que o levou a voltar a Newcastle?
Sting: Sim, de certo modo. Foi bom voltar às minhas raízes. Há muitos fantasmas na minha vida: meus pais, meus amigos, minhas amantes... Há mais fantasmas do que eu lembrava. Foi bom falar com eles.
El País: E como se faz isso?
Sting: Eles vêm à cabeça e você tem que lidar com eles. E não escapar.
El País: É um processo duro ou é algo que ajuda?
Sting: É difícil, mas é importante fazê-lo; para sua psicologia, também. Se você o faz, logo pode seguir adiante.
El País - Joseba Elola
Tradução: Eloise De Vylder
31/10/2009 / Tags: Esporte, SECEL
Final Brasileira no Point Classic Open de Tênis Feminino de Fortaleza
A rivalidade esportiva entre Brasil e Argentina se estende também ao tênis. Mas dessa vez nem teve graça. As brasileiras Vivian Segnini e Roxane Vaisemberg vão disputar a final do Set Point Classic Open de Tênis Feminino depois de atropelarem as hermanas portenhas Carla Lucero e Emília Yorio nas semifinais.
Vivian e Roxane se enfrentam hoje as 16:30 no círculo militar pelo título da competição que colocou a nossa cidade no circuito mundial de tênis com apoio da Prefeitura de Fortaleza e da Secretaria de Esporte e Lazer. O organizador maior do evento foi Jesus Tajra que teve ainda a jornalista Monalysa Alencar como assessora de Imprensa.
O torneio Future Fortaleza oferece uma premiação de US$ 10 mil e pontos no Ranking Mundial da associação dos Tenistas Profissionais (ATP).
30/10/2009 / Tags: Politica
Por que o socialismo? - artigo escrito por Albert Einstein
Albert Einstein
(Publicado na revista Monthly Review, em maio de 1949)
É aconselhável para quem não é especialista em assuntos econômicos e sociais expressar seus pontos de vista sobre o socialismo? Creio que sim, por uma série de razões.
Consideremos primeiro a questão do ponto de vista do conhecimento científico. Pode parecer que não há diferenças metodológicas essências entre Astronomia e Economia: os cientistas de ambos os campos tentaram descobrir leis de aceitação geral para um grupo circunscrito de fenômenos para tornar a interconexão desses fenômenos mais facilmente compreensível. Mas na realidade estas diferenças metodológicas existem. A descoberta de leis gerais no campo da Economia é dificultada pela circunstância de que os fenômenos econômicos observados são frequentemente afetados por múltiplos fatores, muito difíceis de serem avaliados separadamente. Além disso, a experiência acumulada desde o início, o chamado período civilizado da história humana, tem sido - como é bem conhecido - grandemente influenciada e limitada por causas que não são, de forma alguma, exclusivamente de natureza econômica. Por exemplo, a maioria das mais importantes nações da história devem a sua influência à conquista. Os povos conquistadores se estabeleceram, legal e economicamente, como a classe privilegiada do país conquistado. Arrebataram para si mesmos o monopólio da propriedade da terra e constituíam a classe sacerdotal com membros de suas próprias camadas. Os sacerdotes, exercendo o controle da educação, tornaram a divisão de classes da sociedade numa instituição permanente e criam um sistema de valores pelo qual o povo passou a ser, dali em diante, guiado, em grande parte inconscientemente, no seu comportamento social.
Mas a tradição histórica é, por assim dizer, coisa de ontem; em parte alguma conseguimos realmente sobrepujar o que Thorstein Veblen denominou de “fase predatória” do desenvolvimento humano. Os fatos econômicos observáveis pertencem a essa fase e até mesmo as leis que podemos inferir deles não são aplicáveis a outras fases. Uma vez que o propósito real do socialismo é precisamente sobrepujar e ultrapassar a fase predatória do desenvolvimento humano, a ciência da Economia em seu estado atual pouca luz pode lançar sobre a sociedade socialista do futuro.
Em segundo lugar, o socialismo dirige-se a um fim sócio-ético. A Ciência, porém, não pode criar fins, e menos ainda instila-los nos seres humanos. A ciência, na melhor das hipóteses, pode suprir os meios pelos quais certos fins podem ser alcançados. Mas os fins em si mesmos não são determinados por personalidades com elevados ideais éticos e - se esses fins não são nati-mortos, mas vitais e vigorosos - são adotados e levados adiante pelos inúmeros seres humanos que, meio inconscientemente, determinam a lenta evolução da sociedade.
Por estas razões devemos nos pôr em guarda para não superestimar a Ciência e os métodos científicos, quando se trata de uma questão de problemas humanos; e não devemos presumir que os técnicos são os únicos que têm o direito de se expressar sobre questões que afetam a organização da sociedade.
Indivíduo e sociedade
Inúmeras são as vozes que se têm levantado, há algum tempo já, advertindo que a sociedade humana está passando por uma crise, e que sua estabilidade foi perigosamente abalada. É característico de uma situação assim que os indivíduos se sintam indiferentes, ou mesmo hostis, em relação ao grupo, pequeno ou grande, a que pertencem. Para ilustrar meu pensamento, quero recordar aqui uma experiência pessoal.
Discutia recentemente com um homem inteligente e de boa vontade, a ameaça de uma nova guerra, a qual na minha opinião, poria em grave perigo a existência da humanidade. Observava eu que somente uma organização supranacional poderia oferecer proteção contra semelhante perigo. Nesse ponto meu visitante, muito calma e friamente, me respondeu: “Por que você se opõe tão intensamente ao desaparecimento da raça humana?”
Estou certo de que apenas um século atrás ninguém teria tão obviamente feito uma insinuação como essa. É a declaração de um homem que lutara em vão para atingir um equilíbrio dentro de si mesmo e que havia praticamente perdido a esperança de consegui-lo. É a expressão de uma solidão e de um isolamento dolorosos que tantas pessoas sofrem hoje em dia. Qual é a causa? Haverá uma solução?
É fácil fazer estas perguntas, mas difícil respondê-las com um mínimo de certeza. Devo tentá-lo, no entanto, da melhor maneira possível, embora esteja muito consciente do fato de serem os nossos sentimentos e esforços frequentemente contraditórios e obscuros e de que não podem ser expressos por meio de fórmulas fáceis ou simples.
O homem é simultaneamente um ser solitário e um ser social. Como ser solitário, tenta proteger sua própria existência e a daqueles que lhe são chegados, para satisfazer seus desejos pessoais e para desenvolver suas habilidades inatas. Como ser social, busca conquistar o reconhecimento e o afeto dos outros seres humanos, compartilhar dos seus prazeres, confortá-los nas suas tristezas, e melhorar suas condições de vida. Somente a existência desses esforços diferentes e muitas vezes conflitantes respondem pelo caráter especial do homem, e a combinações específica desses esforços determina até que ponto cada indivíduo consegue atingir equilíbrio interior e contribuir para o bem-estar da sociedade. É bem possível que a força relativa desses dois estímulos seja, em sua maior parte, determinada pela herança. Mas a personalidade que finalmente emerge é amplamente formada pelo ambiente em que o homem se encontra durante o seu desenvolvimento, pela estrutura da sociedade em que ele cresce, pela tradição dessa sociedade pelo apreço dessa sociedade por determinados tipos de comportamento. O conceito abstrato “sociedade” significa para o indivíduo a soma total de suas relações diretas e indiretas com seus contemporâneos e com todas as pessoas das gerações anteriores. O indivíduo é capaz de pensar, sentir, esforçar-se, e trabalhar por si mesmo. Mas depende tanto da sociedade em relação à sua existência física, intelectual e emocional, que é impossível pensar nele ou entendê-lo fora do contexto da sociedade. É a “sociedade” que fornece ao homem a comida, a roupa, o lar, as ferramentas de trabalho, a linguagem, as formas de pensar e a maior parte do conteúdo do pensamento. Sua vida se torna possível através do trabalho e das realizações de muitos milhões de pessoas, passadas e presentes, que estão todas ocultas atrás da pequena palavra “sociedade”.
É evidente, portanto, que a dependência do indivíduo em relação à sociedade é um fato da Natureza que não pode ser eliminado - tal como no caso das formigas e abelhas. Contudo, ao passo que todo o processo de vida das formigas e das abelhas é determinado, até o mais ínfimo detalhe, por instintos hereditários rígidos, o padrão social e o inter-relacionamento dos seres humanos são muito variáveis e suscetíveis de mudança. A memória, a capacidade de fazer novas combinações, o dom de comunicação oral tornaram possível desenvolvimentos entre os seres humanos que não são ditados pelas necessidades biológicas. Tais desenvolvimentos se manifestam em tradições, instituições e organizações; na literatura; nas realizações científicas e de engenharia; nas obras de arte. Isso explica como acontece que, em certo sentido, o homem possa influenciar a sua vida por meio de sua própria conduta, e que nesse processo o pensamento e o querer conscientes possam desempenhar sua parte.
Comunidade planetária
O homem adquire ao nascer, pela hereditariedade, uma constituição biológica que devemos considerar fixa e inalterável, incluindo estímulos naturais que são característicos da espécie humana. Além disso, durante a vida, o homem adquire a constituição cultural que adota da sociedade através da comunicação e através de muitos outros tipos de influências. É essa constituição cultural que, com o passar do tempo, está sujeita a mudanças e que determina em grande parte o relacionamento entre o indivíduo e a sociedade. A Antropologia moderna nos ensina, através da investigação comparativa das chamadas culturas primitivas, que o comportamento social dos seres humanos pode diferir enormemente, dependendo dos padrões culturais que prevalecem e dos tipos de organização que predominam na sociedade. É nisto que os que se esforçam para melhorar a sorte do homem podem fundamentar suas esperanças: os seres humanos não estão condenados, devido à sua constituição biológica, a se aniquilarem uns aos outros, nem a ficarem à mercê de um destino cruel e auto-infringido.
Se nos perguntarem como a estrutura da sociedade e a atitude cultural dos homens deveriam mudar para tornar a vida humana tão satisfatória quanto possível, deveremos estar permanentemente conscientes do fato de haver certas condições que somos incapazes de modificar. Como já foi mencionado antes, a natureza biológica do homem não está, para todos os fins práticos, sujeita a mudança. Além do mais, os desenvolvimentos tecnológicos e demográficos dos últimos séculos criaram condições irreversíveis. Em populações estabelecidas e de relativa densidade demográfica, com os bens que são indispensáveis à continuação de sua existência, são absolutamente necessários uma rígida divisão de trabalho e um esquema produtivo altamente centralizado. O tempo – que, ao olharmos para o passado, nos parece tão idílico – em que indivíduos ou grupos relativamente pequenos podiam ser completamente auto-suficientes já passou. Não é exagero dizer que a humanidade se constitui, neste momento, numa comunidade planetária de produção e consumo.
Cheguei ao ponto, agora em que posso indicar sucintamente o que para mim constitui a essência da crise de nossa época. Diz respeito ao relacionamento do indivíduo com a sociedade. O indivíduo tornou-se mais consciente do que nunca da sua dependência da sociedade. Mas ele não experimenta essa dependência como uma qualidade positiva, como uma ligação orgânica, como uma força protetora, e sim como ameaça a seus direitos naturais, ou até à sua existência econômica. Além do mais, sua posição na sociedade é tal que os impulsos egoísticos de sua constituição estão constantemente sendo acentuados, ao passo que seus impulsos sociais, que são mais fracos por natureza, deterioram-se progressivamente. Todos os seres humanos, qualquer que seja sua posição na sociedade, estão sofrendo desse processo de deterioração. Prisioneiros, sem o saber, de seu próprio egocentrismo, sentem-se inseguros, solitários e desprovidos do ingênuo, simples e despojado prazer de viver. O homem pode encontrar significado na vida, curta e perigosa como é, somente através do devotamento à sociedade.
Anarquia capitalista
A anarquia econômica da sociedade capitalista, como existe hoje em dia, é, na minha opinião, a verdadeira origem do mal. Vemos diante de nós uma enorme comunidade de produtores, cujos membros estão incessantemente esforçando-se por arrebatar, uns dos outros, os frutos do seu trabalho coletivo – não pela força, mas em geral pela fácil obediência a regras legalmente estabelecidas. A esse respeito é importante perceber que os meios de produção – isto é, toda a capacidade produtiva necessária para produzir bens de consumo assim como outros bens de capital – podem ser legalmente, e na maior parte dos casos são, propriedade privada de indivíduos.
Para simplificar, na discussão que segue, chamarei de “trabalhadores” a todos aqueles que não compartilham da posse dos meios de produção – embora isso não corresponda ao uso habitual do termo. O proprietário dos meios de produção está em condições de comprar a capacidade de trabalho do trabalhador. Usando os meios de produção, o trabalhador produz novos bens, que se tornam propriedade do capitalista. O ponto essencial desse processo é a relação entre o que o trabalhador produz e o que ele recebe como pagamento, medidos ambos em termos de valor real. Na medida em que o contrato de trabalho é “livre”, o que o trabalhador recebe é determinado não pelo valor real dos bens que ele produz, mas pelas suas necessidades mínimas e pelas exigências dos capitalistas quanto à força de trabalho em relação ao número de trabalhadores que competem pelos empregos. É importante entender que mesmo em teoria o pagamento do trabalhador não é determinado pelo valor que ele produz.
O capital privado tende a concentrar-se em poucas mãos, em parte devido à competição entre os capitalistas e em parte devido ao desenvolvimento tecnológico e à crescente divisão de trabalho, que encoraja a formação de maiores unidades de produção em detrimento das menores. O resultado desses desenvolvimentos é uma oligarquia de capital privado cujo enorme poder não pode ser eficazmente controlado, mesmo numa sociedade política organizada democraticamente. Isto é assim, já que os membros dos corpos legislativos são escolhidos por partidos políticos, extensamente financiados ou influenciados por outros meios pelos capitalistas privados que, para todos os fins práticos, separam o eleitorado da legislação. A conseqüência é que os representantes do povo (deputados) de fato não protegem suficientemente os interesses dos setores menos privilegiados da população. Além do mais, nas condições vigentes, direta ou indiretamente, controlam as principais fontes de informação (a imprensa, o rádio, a educação). Assim, é extremamente difícil, e na realidade praticamente impossível, na maioria dos casos, que o indivíduo, como cidadão, chegue a conclusões objetivas e faça uso inteligente de seus direitos políticos.
A situação que prevalece numa economia baseada na propriedade privada do capital é, portanto, caracterizada por dois princípios fundamentais: primeiro, os meios de produção (capital) são propriedade privada e os proprietários dispõem deles a seu bel-prazer; segundo, o contrato de trabalho é livre. Naturalmente não existe o que se possa chamar de sociedade capitalista pura, no sentido absoluto. Em particular, deve-se notar que os trabalhadores, através de longas e amargas lutas políticas, conseguiram assegurar uma forma melhorada de “contrato livre de trabalho” para certas categorias de trabalhadores. Mas, considerada como um todo, a economia dos dias atuais não difere muito do capitalismo “puro”.
A produção é levada adiante visando o lucro, não a utilidade. Não se prevêm as condições para que todos os que são capazes e desejosos de trabalhar encontrem sempre emprego. Existe quase sempre um “exército de desempregados”. O trabalhador vive no constante temor de perder o seu emprego. Já que os trabalhadores desempregados e os mal pagos não fornecem um mercado lucrativo, a produção dos bens de consumo é restringida e grandes dificuldades da vida são a conseqüência. O progresso tecnológico frequentemente resulta em maior desemprego, em lugar de facilitar a carga de trabalho para todos. O motivo de lucro, aliado à competição entre os capitalistas, é responsável por uma instabilidade no acúmulo e na utilização de capital que leva a depressões cada vez mais graves. A competição ilimitada leva a grande desperdício de trabalho e àquela deturpação da consciência social dos indivíduos que já mencionei antes.
Essa deturpação dos indivíduos é o que considero o pior malefício do capitalismo. Todo o nosso sistema de educação sofre deste mal.
Uma exacerbada atitude competitiva é inculcada nos estudantes, que são treinados para adorar o sucesso aquisitivo como preparação para a sua futura carreira.
Por que socialismo?
Estou convencido de que só há um modo de eliminar esses males tão graves, a saber, através do estabelecimento de uma economia socialista, acompanhada por um sistema educacional orientado para objetivos sociais. Numa tal economia, os meios de produção seriam propriedade da própria sociedade e utilizados de forma planificada. Uma economia planificada, que adapta a produção às necessidades da comunidade, distribuiria o trabalho a ser realizado entre todos os que fossem capazes de trabalhar e garantiria o sustento de cada homem, mulher ou criança. A educação do indivíduo, além de promover suas próprias habilidades inatas, tentaria desenvolver nele um senso de responsabilidade por seus semelhantes em lugar da glorificação do poder e do sucesso, como em nossa sociedade atual.
Contudo, é necessário lembrar que uma economia planificada não é socialismo, ainda. Uma economia planificada, por si só, pode ser acompanhada pela completa escravização do indivíduo. Chegar ao socialismo exige a solução de alguns problemas sócio-políticos extremamente difíceis: como é possível, em vista da imensa centralização do poder econômico e político, evitar que a burocracia se torne toda-poderosa e prepotente? Como podem os direitos do indivíduo ser protegidos e com isso assegurar-se um contrapeso democrático para equilibrar o poder da burocracia?














